| EM DESTAQUE | ENTREVISTA
HOSPITAL ARQUITETURA: ROBERTO MONTEMOR
Vice presidente de Desenvolvimento
Profissional da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar
Condicionado e Aquecimento (Abrava) e sócio da Fundament-AR
Consultoria e Engenharia, o engenheiro Roberto Montemor, que
integrou o comitê de elaboração da NBR 7256 Tratamento de Ar em
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, relata ao portal
Hospital Arquitetura parte de sua trajetória e
fala sobre a importância do projeto de ventilação e refrigeração
na segurança do paciente
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Roberto Montemor,
engenheiro mecânico especializado em refrigeração e
ar condicionado, há 21 anos atua na área de saúde,
integrou o comitê de elaboração da NBR 7256, e hoje é
vice presidente
de Desenvolvimento Profissional da Abrava. Na foto, com
colegas da associação,
recebe placa em agradecimento por seu mandato como
presidente
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Há 25 anos no setor de refrigeração, ar
condicionado e ventilação, o paulistano Roberto Montemor, 49
anos, formado em engenharia mecânica com especialização em
refrigeração e ar condicionado na Poli-FDTE, é sócio da empresa
de consultoria e engenharia Fundament-AR desde 1995, com forte
atuação na Abrava, onde foi vice presidente, de 2004 a 2005, e
presidente, de 2005 a 2006, do Departamento Nacional de
Projetistas, e de 2007 até hoje, vice presidente de
Desenvolvimento Profissional.
Montemor foi um dos responsáveis pelo
ressurgimento do Departamento Nacional de projetistas da Abrava,
em 2004, que forma desenhistas projetistas, além de realizar
encontros nacionais anuais sempre em lugares diferentes do
Brasil, para a discussão e aprofundamento de itens relevantes do
setor.
Para manter-se atualizado, o engenheiro fez
cursos de Sala Limpa na Sociedade Brasileira de Controle de
Contaminação (SBCC), e diz que estuda muito até hoje, lendo e
fazendo intercâmbio com outros profissionais da área em
congressos técnicos, cursos e palestras. Com toda essa bagagem,
tem sido escalado a participar de comitês de elaboração de
normas técnicas referentes a qualidade do ar e contratado para
prestar consultoria a instituições hospitalares, disseminando as
boas práticas, e contribuindo com o setor de saúde. Ele ressalta
que o que mais gosta de fazer em sua profissão são projetos de
salas limpas, em hospitais e cozinhas industriais.
Em depoimento ao portal Hospital
Arquitetura, Montemor faz um resumo de sua história
profissional.
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Montemor
iniciou sua carreira
em hospitais na Clínica São Vicente,
no Rio de Janeiro |
Quando surgiu interesse pela área de
ventilação e refrigeração, e por que?
Logo que me formei fui contratado por uma indústria que tinha
uma divisão de refrigeração. Após dois meses abriu uma vaga e
pedi para ser transferido, pois achei muito legal a área.
Qual a importância do projeto de
refrigeração e ventilação na garantia de um ambiente saudável?
Um bom projeto que segue as normas técnicas e as legislações da
Anvisa garantem o conforto térmico, filtragem e a renovação do
ar, mantendo os níveis de C02 adequados na atmosfera, e gerando
conforto. Com isso, a produtividade das pessoas cresce.
E especificamente em edifícios
voltados para saúde, onde higiene e climatização adequada são
fundamentais para a realização de procedimento e a segurança do
paciente?
Por exemplo, em uma sala de isolamento, o paciente não pode
receber ar de fora contaminado se está
imuno deprimido,
pois pode ter seu quadro, que já é grave, agravado. O ar também
não pode sair para outros sistemas quando o paciente tem uma
doença altamente contagiosa. Para isso, são criados sistemas que
protegem e ajudam na cura dos pacientes.
Como a arquitetura hospitalar pode
contribuir para a melhoria da qualidade do ambiente e as
condições físicas dos hospitais? Que tipo de interação deve
haver, quem, quando e como?
Acredito que o engenheiro de ar condicionado deva entrar no
começo do projeto para ajudar na escolha de materiais e na
posição solar, possibilitando a redução da carga térmica da
envoltória. Acredito também que a definição de áreas técnicas e
espaço de entre forro devem ser pensados no inicio do projeto de
arquitetura, para conseguirmos garantir que se instale menos
potência, gaste-se menos energia durante os anos de operação e
as máquinas disponham de acesso, podendo passar por manutenções
e limpezas, essências para assegurar a qualidade do ar dos
sistemas, e que o ar condicionado, e exaustão e ventilação sejam
saudáveis, ajudando na recuperação dos internados e no conforto
e saúde das equipes que trabalham na área.
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O Hospital Santa Catarina
é uma das instituições
que Montemor vem atuando
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Qual foi o primeiro projeto
hospitalar em que teve participação?
O primeiro projeto foi em 1989, na Clínica São Vicente, do Rio
de Janeiro, quando trabalhava na LUWA, chefiando a divisão de
Salas Limpas. Uma sala cirúrgica com teto totalmente filtrante
classe 1000. Daí para frente não paramos mais.
Com quais arquitetos e escritórios de
arquitetura o sr. vem trabalhando em projetos hospitalares?
Com a Cabe Arquitetura, o saudoso Jarbas Karmann,o Alcindo
Delagnese, Frank Siciliano, Ricardo Leitner entre outros.
Em quais hospitais o sr. atuou ou vem
atuando para o desenvolvimento de ambientes saudáveis do ponto
de vista da qualidade do ar, em áreas específicas, críticas ou
não?
Venho fazendo trabalhos para instituições como Hospital Santa
Catarina, Hospital Samaritano, Hospital São Jose do Brás,
Hospital Alvorada, Medial Saúde, Hospitais para a Greenline,
Hospital Bosque da Saúde, Hospital Igesp e Incor.
Cite os projetos relevantes em que
participou no setor de saúde.
Acho que todos os projetos foram sempre marcantes. Penso sempre
que poderei estar ali internado e tento fazer o melhor que sei
baseado nas normas técnicas. Mas o projeto que foi um grande
desafio pelo pouco espaço técnico foi o Hospital Bosque da
Saúde, onde as máquinas do centro cirúrgico ficam no térreo e os
dutos sobem quatro andares pela lateral do prédio, pé direito
ruim, e ficou ótimo como resultado final.
Fale sobre a sua participação na elaboração de normas
técnicas referentes a qualidade do ar, em salas limpas e outros
trabalhos técnicos-teóricos relativos ao ambiente hospitalar.
Participei dos comitês de norma da NBR 16401 Instalações
Centrais de Ar Condicionado de Conforto, que define parâmetros
de projeto, qualidade do ar interior, foram três anos de
trabalho. Participei também do comitê da NBR 7256 Tratamento de
Ar em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, que determina
parâmentros de projeto e execução para instalações, regulamenta
toda a parte de ar hospitalar. Foram quatro anos de trabalho
nesta comissão junto com o pessoal da Anvisa. Na área de salas
limpas, participei como sócio da SBCC e fiz muitos cursos
específicos na área de projeto e construção e certificação de
salas limpas.
Relate-nos a experiência de ter
participado do comitê da NBR? Por que levou tantos anos para a
elaboração da norma? Quais pontos foram mais difíceis de serem
definidos? O que mudou com a NBR 7256? As instituições de
maneira geral adotaram à norma?
Foi fascinante a experiência, pois convivemos com engenheiros,
médicos, arquitetos especialistas em hospital, e o pessoal da
Anvisa. Houve a troca de informações e a leitura de normas
estrangeiras. O estudo foi árduo mas gratificante. Demoramos
tantos anos, pois tudo foi revisto e exaustivamente discutido a
partir das normas da Anvisa. Uma parte do tempo, a Anvisa
trabalhou para regulamentar os ambientes hospitalares e a partir
daí deslanchamos. Para as Classes de Filtragem e Renovação do
Ar, demoramos bastante tempo. Hoje, a norma define claramente
para cada ambiente hospitalar as necessidades de temperatura,
umidade, renovação de ar, grau de filtragem e exaustão. Todas as
instituições e projetistas têm adotado a norma quando da
construção ou reforma dos ambientes hospitalares.
Como as áreas críticas, salas limpas,
áreas de contenção, e segurança biológica etc. devem ser vistas
e compreendidas na hora de projetar ou construir do ponto de
vista da qualidade do ar?
Temos sempre que pensar que um hospital, tirando a parte de
hotelaria, é uma indústria, pois temos máquinas grandes, com
vários estágios de filtragem, dutos e tubulações. O ar de
descarga não pode contaminar o ar externo de reposição para
manter um ar com índices de CO2 adequado dentro dos ambientes
condicionados.
Como o sr. vê hoje a construção?
Acredito que o padrão referencial atual deve ser a construção
verde e sustentável, que usa bem os recursos da natureza,
iluminação eficiente e de baixo consumo, com a envoltória do
edifício que garanta consumo menor de ar condicionado, reuso de
água, energia solar, energia eólica, máquinas de ar eficientes,
com gases ecológicos que não agridam a camada de ozônio,
sistemas de supervisão predial que administrem elevadores,
acesso, e status das máquinas de ar condicionado.
PATROCÍNIO
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